Agosto às 5
Dia 1
Agosto às 5.
Vai ser assim que vou chamar esta espécie de desafio que propus a mim mesma.
Estou em casa, em repouso, começo o mês com o bicho agarrado a mim.
Durante a semana o Nuno sai para o trabalho ou enfia-se no escritório, submerso nas suas reuniões e tarefas. O pequeno vai para os avós, para que se entretenha com idas ao jardim nas horas de menos calor. Não faz sentido que o obrigue a esta cláusula desnecessária. E eu fico com os cães, quase tão desesperados quanto eu com o calor. Para companhia tenho a televisão, os livros e a minha cabeça (menos recomendável que as anteriores).
Vou à janela e vejo lá fora as pessoas cuja vida costumeira tem de continuar apesar da estranha sensação de que deveriam estar esparramados na praia, vejo os emigrantes que chegaram de Inglaterra, Espanha e França. Chegaram para matar saudades da família e do bom tempo. Sei que cá estão porque enchem o parque de estacionamento da praceta com as suas matrículas estrangeiras. Hoje com carros banais, em vez do habitual Mercedes polido e guardado para o querido mês de agosto. Na internet vejo praias, resorts, instâncias de atividades aquáticas no rio. Pessoas de biquíni e roupas leves, a comer pratos coloridos, com os pés de molho e os cremes que intensificam o bronze. Na internet o mundo parece parado e quando se mexe está no Algarve, na Comporta, em Troia ou numa ilha paradisíaca.
E eu estou aqui, com alguma inveja. Nem da boa nem da má. Inveja, só assim. Com pena de não poder estar de molho também, a caber num biquíni da moda. Estou aqui a fazer figas, para que não precise de nada com as urgência dos serviços de saúde que estão pela hora do capeta.
Então dei comigo a pensar que, para me entreter e mais tarde recordar, vou escrever uma publicação por dia até ao fim do mês de agosto. Todos os dias às cinco da tarde. Fica para mim. Fica para ela. Fica para quem, tal como eu, está à espera que agosto passe.