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Exercício de escrita

Dezassete

24.11.22

Detesto incomodar. Detesto sentir que estou a ocupar espaço na vida de outra pessoa, como uma pedra que está a forçar a sua entrada no sapato. Detesto impor as minhas necessidades, perguntando se podem fazer isto ou aquilo por mim, deixando as pessoas numa posição chata de ter de dizer que não.

Habituei-me desde miúda a fazer as coisas por minha conta, se conseguisse conseguia, se não conseguisse é porque não era para ser. São más experiências passadas, somadas ao orgulho e ao receio de me colocar numa situação desconfortável. É um bolo em camadas de incómodo. A falta de jeito para pedir, o saber que estou a ocupar espaço e o mau estar que me causa quando do outro lado me deixam bem claro o peso do meu pedido.

Por isso quando terminei o meu manuscrito em junho só pedi cá em casa para ler. E pedi porque é quem mais me incentiva e porque nunca se sabe se sou a próxima J. K. Rowling e, por obrigações de matrimónio, tenho de dividir as mais-valias. Então não se pode queixar de ler meia dúzia de páginas.

Tive pessoas muito simpáticas que me desejaram sorte, que me disseram que se precisasse tinham quem lesse, que me deram contactos. Agradeci e disse: deixa lá estar, eu vou marrar com isto sozinha.

Acabei a levar na cabeça em casa, porque não pode ser assim, porque tenho de aproveitar quando alguém tenta ajudar. Eu nada.

Passaram-se quase seis meses, matutei muito e decidi chatear duas ou três pessoas, pedir uma opinião a quem percebe alguma coisa disto das palavras e das histórias. Ter opiniões sinceras e duras sobre o que está feito. Fiz umas mensagens sem jeito. Custou-me bater à porta como os funcionários da tv cabo e dizer: vim importunar, posso?

Tive sorte, ou a maturidade tem-me ensinado a ler melhor quem me rodeia e vou dando comigo a encontrar gente de uma generosidade que não sei se mereço.

As histórias que não se contam, de Susana Piedade

07.11.22

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Apaixonei-me pela escrita da Susana Piedade quando li o Três mulheres no beiral (o seu livro mais recente e finalista do prémio Leya). Como me acontece com os escritores que me prendem não só pela história, mas pela forma da sua escrita, decidi ler todos os livros Susana. Assim tratei de comprar o primeiro (este, também ele finalista do prémio Leya).
Este As histórias que não se contam está, diria, dolorosamente bem escrito. Digo dolorosamente porque são história que doem e que marcam o leitor, não só porque sei que são tantas vezes reais, mas porque o detalhe me fez tocar no pior dos meus medos.

Não é fácil ler sobre uma mãe que perden um filho quando temos um bebé de semanas ao lado. A vida fica em perspetiva. Chatear-me com o mais velho por causa de um quarto desarrumado e voltar para o meu livro, terminar um capítulo com a sensação de que me desgastei com o que nao importa.

Os livros bons são assim, contam vidas que nos fazem pensar, dão-nos perspectiva, fazem-nos crescer e aprender com os sucessos e as derrotas de quem está dentro das suas páginas disponível para contar uma e outra vez a sua história.

 

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Aquário, d'Capicua

18.10.22

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Este é o primeiro livro que termino depois de a Inês ter nascido. Não é fácil encontrar tempo e disponibilidade mental para ler quando tenho um bebé de dias (agora quase mês e meio) em casa. Aliás, não é fácil encontrar tempo, disponibilidade ou rotinas para nada. Os bebés, parece-me, são o kriptinight das rotinas. Comecei três outros livros, muito bons por sinal, mas não estava a conseguir dar-lhes a atenção que mereciam. Então, quase como que por mensagem do santo padroeiro das mães ensonadas, saiu o Aquário da Capicua. Crónicas, textos, letras. Construções de ideias que me permitiam um ou dois textos com cabeça tronco e membros antes de deitar.
Temas nos quais me revejo, que estão agora, mais uma vez, à flor da pele.
A escrita é uma delícia, eloquente sem ser fanfarrona, deixa-me a querer mais.
Gostei de navegar nestas palavras e nesta cabeça que pensa tanta coisa da mesma forma que eu.
A somar a isto, calhou bem, agora que entra na minha vida uma filha. Li para ela pedaços. Li porque gosto de ler para os meus filhos. Mesmo que não entendam as palavras. Li porque gosto que os meus filhos vejam a mãe a ler e percebam que os livros nos acrescentam sempre algo. Li porque quero que saiba sempre que, de entre muitas coisas aqui tão bem esplanadas, o lugar da mulher, o lugar dela que um dia será mulher feita, é onde ela quiser.

 

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Livros de setembro

02.10.22

O mês de setembro foi fraco para as leituras. A cabeça pensava no parto e nas mudanças que estariam a chegar e não havia capacidade para deixar que mais nenhuma informação entrasse. Depois a bebé nasceu e absorveu todo o meu mundo. Agora estou aos poucos a tentar encontrar os meus novos ritmos, as minhas rotinas neste mundo onde há bebés, crianças no segundo ano da escola, uma cara-metade que cuida de mim e de quem cuido reciprocamente, dois cães idosos e um bulldog francês que quer fazer o jogo do sério com a bebé porque para ele a vida só faz sentido quando está dentro dos nossos bolsos.
Por tudo isto, este mês tenho apenas um livro de que falar. É poesia, é Adília Lopes, é sempre uma maravilha, mas é só um.



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Mais apontamentos da vidihha

22.09.22

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O cérebro, assim como as pernas e a barriga, é um músculo que tem de ser exercitado. Porventura aquele que mais precisa de movimento, já que sem a disposição da moleirinha fracas são as hipóteses de se andar para a frente com o resto.
No último mês de gravidez li pouco. Comecei mais do que um livro e fui pousando porque a cabeça não tinha disponibilidade. Tinha tempo, dias inteiros, mas os olhos passavam pelas palavras sem reter informação. Havia demasiado a ocupar espaço: a ansiedade do parto, o cansaço de meses e meses de desconforto, a expectativa do que estava para vir.
Agora, que aos poucos vão ficando para trás esses momentos, é preciso reganhar rotinas. Fazer caminhadas para dar andamento às pernas, escrever para não esquecer o bem que me sabe esta catarse, ler para ocupar a mente com histórias e mais histórias.
Mas as noites têm sido mal dormidas, a acordar de poucas em poucas horas. Os dias ainda de habituação, com os trâmites burocráticos de legalizar um ser fresquinho no mundo e a submissão de mil papéis para as licenças de parentalidade.
Para não perder o hábito ando com um livro por perto. Ainda não tinha lido uma página desde que estamos em casa. Hoje, depois de dar de mamar, depois ter uma conversa detalhada sobre a diferença entre a Marvel e a DC Comics com o mais velho, depois de estender mais uma máquina de roupa, sentei-me no sofá e li três paginas. Um texto deste Jalan Jalan.
Um livro que já comecei a ler há algum tempo, e que vou lendo aos poucos, entre livros, como um passeio lento. Vou caminhando por entre os textos.
Para já está a ser o livro ideal, os textos são curtos e eu consigo acabá-los antes de ser chamada para me apresentar ao serviço de mãe a tempo inteiro.

Livros de agosto

31.08.22



Materna doçura, Possidónio Cachapa

Foi o primeiro livro que li de Possidónio Cachapa. Gostei tanto da escrita. Da forma verdadeira como são relatadas as conversas, com respeito pelo que acontece na realidade ao invés de subverter as palavras ao que seria correto de dizer mas que sabemos que, no corriqueiro mundo banal não acontece.
Gosto de saber dos personagens, do que pensam do que sentem, do que lhes acontece sem que a narrativa se perca em descrições espaciais e detalhes que enchem texto e pouco acrescentam. Este livro é mesmo assim, concentrado nas pessoas, nos azares e contratempos que ditam as vidas em vez da cega ideia de que conseguimos moldar tudo.

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Toda a gente nesta sala um dia há de morrer, Emily Austin

É uma história engraçada, escrita de forma peculiar (com que simpatizei). Entretém. 
É aquilo a que se pode chamar de uma leitura suave, boa para as alturas em que a cabeça está menos disponível. Está giro, mas não é um livro do caraças. 
Penso desta forma porque me parece que a autora quis muita coisa numa história não particularmente longa, onde "bica" em vários assuntos, mas não explora verdadeiramente nenhum. Orientação sexual, saúde mental, desequilíbrio familiar, alcoolismo, crenças religiosas, eutanásia. Tentou que se misturasse sarcasmo com seriedade a espaços, mas fê-lo sempre com aparente receio de ferir as vozes sensíveis que andam de cadeias às avessas com a linguagem e a semântica. 
A ideia está boa, tenho pena que não tenha sido explorada de outra forma.

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O efeito das expectativas, David Robson

Precisei de alguns dias para escrever a minha opinião sobre este livro. Foram várias as fases por que passei enquanto o li. Não é um livro fácil de ler, na medida em que, para o ler, aprender e repensar a minha abordagem, questionando sempre o que me está a ser apresentado (não aceito tudo só porque foram feitos estudos, é preciso ter presente que estes podem sempre ser enviesados) é preciso estruturar a  nova informação e compreender em que medida se pode aplicar a mim. 
Houve capítulos em que me revi mais, outros em que considerei que porventura a abordagem pode ser um pouco inocente, na medida em que, por mais estudos que se façam, é impossível replicar a realidade e todas as variáveis, tão distintas, que afetam a vida de cada pessoa.
Não obstante, o conceito - referido inúmeras vezes pelo autor como não sendo uma panaceia -  faz sentido. Se olhar para a minha vida e para momentos da vida de pessoas que me são próximas, consigo compreender que a forma como encaramos e nos preparamos para a vida (mesmo que costumeira) e para os desafios, tem, efetivamente impacto no seu desfecho, na minha perceção quanto às minhas capacidades.
É um livro interessante, com uma abordagem que procura ser honesta, que desafia o leitor a pensar sobre si, sobre a sua realidade, sobre a sua forma de avaliar as suas capacidades, sobre aquilo que pode investir e melhorar para chegar - gradualmente, com disciplina e paciência - a ser aquilo que, acredito, todos procuramos: ser uma melhor versão de nós próprios.

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Três mulheres no beiral, Susana Piedade

Sem dúvida um dos melhores livros que li este ano. Não conhecia a Susana Piedade, comprei o livro num impulso porque gostei do título e da sinopse. Gostei mais do que estava à espera, porque fiquei embevecida com a escrita e com a história tão verdadeira, tão humana, tão palpável. Qualquer dos personagens poderia ser uma pessoa que conheço e fiquei, de facto, com a sensação de que as conheço.
Este livro foi finalista do Prémio Leya de 2021, pelo que assumo que, para que não tenha vencido, o livro que ocupa o primeiro lugar deva ser um verdadeiro assombro.
A autora tem mais dois livros editados, sendo que o primeiro foi, também ele, finalista do Prémio Leya (2015) e conto lê-los em breve.
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O perfume das flores à noite, Leila Slimani

Adorei ler O país dos outros, um livro tocante e maravilhosamente bem escrito. Talvez por essa razão esperasse mais deste O perfume das flores à noite. Gostei da escrita, sempre tão rica, gostei dos momentos de introspeção e de maior intimidade onde a autora nos deixa espreitar um pouco para como a sua mente funciona, o que me perdeu foi a mística gerada em torno do processo de escrita. Compreendo que o processo de criação seja diferente para todos, mas não me convence a ideia de que um escritor sofre mais ou abdica de mais do que qualquer outra profissão onde a excelência se procura. Não creio que abdique mais do que um médico de renome, um atleta de alta competição, um ator que dá voltas sobre si mesmo para interpretar um personagem. 
É um livro bonito, fora da ficção, que se lê num sopro, mas que não me convenceu como os demais livros da autora.
Mais informações sobre o livro aqui.

 

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O chão dos pardais, Dulce Maria Cardoso

É impossível ignorar a qualidade da escrita de Dulce Maria Cardoso. Provavelmente uma das mais brilhantes escritoras do nosso tempo. 
Uma família de aparências, que manobra e manipula quem consegue. O ser humano que se deixa corromper e molda o seu caracter ao estatuto.
Uma história muito bonita, escrita na terceira pessoa (o que é menos característico na escrita de Dulce) e que merece muito ser lido.
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Livros de julho

08.08.22



O país dos outros, Leila Slimani

Sendo o primeiro livro que li da autora, antes de mais fiquei impressionada com a escrita, da qual gostei muito. Neste livro a autora conta-nos um pouco da história da sua família, numa altura em que a presença francesa ainda era muito marcada nos territórios colonizados. Gosto do detalhe na descrição das pessoas, dos seus comportamentos e razões de agir. 
É difícil viver com o permanente sentimento de que não pertencemos a lado nenhum.

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Quando a noite cai, Laurent Petitmangin

Apesar de ser uma novidade, pela sinopse, criei elevadas expectativas em relação a este livro. Talvez por essa razão, no fim, tenha ficado com a sensação de que queria ter gostado mais do que gostei.
Ainda assim, é uma história bem pensada e bem contada, muito contemporânea e que nos faz pensar nos receios que temos quanto ao caminho que leva a nossa sociedade. Mais do que isso, faz recear o que pode vir a ser a forma de pensar e de estar dos nossos filhos apesar do que tentamos incutir-lhes. 
A escrita é boa, mas não encanta. De todo o modo parece-me um bom livro para ler, que mais não seja para pensarmos sobre o que vemos acontecer todos os dias.

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Apontar é feio, Joana Marques

Gosto muito do sentido de humor da Joana e vejo o mundo, em muitas coisas, pelo mesmo espectro. Ainda assim, mesmo que não lhe achasse graça, gosto de acreditar que continuaria a considerar este um bom livro. Porque a Joana Marques, assim como todos os grandes comediantes, pensa a realidade em que está envolvida, despe-a das miudezas e faz-nos olhar para os assuntos com a importância que eles devem ter. Concordemos ou não. O trabalho que a Joana tem feito é muito importante neste momento, que que cada vez mais pessoas se sentem no direito de impor limites ao que os outros acham piada e pior, demonstram-se totalmente incapazes de compreender a diferença entre atos, convicções e pura sátira. Acredito piamente que, quando perdemos a capacidade de nos rirmos das piores coisas, é porque qualquer coisa se apagou cá dentro.

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A chave do sucesso, Malcolm Gladwell

Tinha este livro em casa há alguns anos. O meu marido já ouviu (em audiobook) outros livros do mesmo autor e esteve sempre a dizer-me maravilhas da sua capacidade de pensamento e da forma como nos explica temas pertinentes e em que não paramos para pensar entre o corre-corre dos dias.
Então decidi ler este. Gostei muito.
Acredito que o título em português não faz justiça ao que o conteúdo do livro nos pretende ensinar.
Em resumo (embora eu seja péssima com resumos) o livro pretende falar-nos de como o sucesso, a propagação de algo (bom ou mau, sendo o sucesso aqui referente à capacidade de vencer de algo, até de um vírus), depende de múltiplos fatores e não apenas do produto/elemento em si. As pessoas associadas, o contexto e a forma determinam tudo.
Às vezes dou por mim a pensar como é que um livro de que gostei tanto mal teve expressão e outros, que acho desprovidos de valor, conseguem ter tanto sucesso. 
Este livro ajuda-nos a compreender esse fenómeno.

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A pediatra, Andréa del Fuego

Vi referência a este livro através do Instagram d' A mulher que ama livros e, pela descrição, soube que tinha de o ler.
Gostei mesmo muito.
Gosto de livros em que as personagens são humanas, descritas de forma crua, sem pretextos de perfeição, deixam a cores a sua rudeza e maldade. Porque todos temos maldade. 
Não achei que a personagem fosse louca, vi-a como alguém desinteressado na vida e que, porventura por essa razão, acaba por agir de forma fria e desligada daquilo que enternece a maioria.

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O senhor d'Além, Teresa Veiga

Adoro a escrita da Teresa Veiga, mas este livro ficou um pouco aquém para mim. A história pareceu-me pobre, com um esmero e dedicação excessivos na descrição de espaços.

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Contra mim, Valter Hugo Mãe

É-me impossível ler um livro tão bonito de memórias sem que faça uma viagem no tempo para a minha própria infância. Para os tempos bons e os maus, para as dúvidas sempre constantes.
Gostei muito de ler este livro, tão honesto, sem florear aquilo que a vida tinha de ser e a forma como se conseguia perceber o mundo com um décimo da informação de que dispomos hoje.
Valter Hugo Mãe gostava em criança de jogar com as palavras e tornou-se um mestre nisso mesmo e é tão bom assistir a forma como joga.

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Positividade tóxica, Whitney Goodman

O que me chamou a atenção foi o título. Estou cansada de tanta positividade bacoca, com o frequente impingir da ideia de que se pensarmos sempre que está tudo bem e se virmos o copo meio cheio somos pessoas melhores a quem acontecem coisas boas. Se ao menos fosse assim....
Aquilo que acontece a cada um não depende somente da sua atitude, depende de uma multiplicidade de fatores sendo tantas vezes os mais subtis os responsáveis pelo resultado final.
É importante que vejamos o que de bom a vida tem, mas não é por isso que deixamos de ter o direito de nos queixarmos do que nos incomoda.
Tal como é referido no livro, também eu já havia reparado neste estranho pormenor: numa época em que tanto se advoga a positividade, são tantas as pessoas que se comportam de forma maldosa, vingativa e puramente agressiva.
É um livro escrito com uma linguagem acessível, que relata sem pruridos a hipocrisia desta onde de positividade que só aceita quem pensa de uma determinada forma.

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Lições de química, Bonnie Garmus

Comprei o livro sem qualquer expectativa, apenas sabendo que era uma recomendação de quem, por regra, não falha nas recomendações que dá.
A capa seduz e o título também.
Depois a história, a escrita, a mensagem e toda a construção desde livro me deixou maravilhada. Tem a sua cota de fantasia, com um cão que conhece mais palavras que alguns políticos ativos e uma criança encantadora, mais perspicaz que a maioria dos adultos. 
Mas é a personagem principal que nos marca. É esta Miss Zott que fica na mente como alguém que conhecemos noutra vida ou que gostaríamos de ter conhecido.
Todos precisamos de mais Elizabeth's Zott no mundo.

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Tanta Gente, Mariana e As palavras Poupadas, Maria Judite de Carvalho

Livros de 2022

17.01.22

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Os livros, quando são tão bons quanto este, deixam-me com menos palavras. Acho sempre que o que quer que diga sobre eles ficará aquém daquilo que merecem.

Não conhecia a obra de Maria Judite de Carvalho e hoje lamento, porque teria gostado de já a ter lido antes.

Agradeço ao Plano Nacional de Leitura e ao blog Ministério dos Livros pela recomendação. Vou certamente gostar muito de ler os restantes volumes.

Do volume I gostei particularmente dos contos A vida e o sonho, A avô Cândida e A mãe.

É desarmante a forma como os personagens são retratados. Gente de carne e osso, com características verdadeiras, daquelas que sabemos ter e não que embelezamos com palavras elegantes que fazem de nós menos abjetos para o mundo. A gente que povoa as histórias de Maria Judite de Carvalho é gente com quem nos cruzamos, gente que é boa e má num só, porque não há perfeitos e imperfeitos. Adoro histórias assim, escrita como esta, que me faz parecer que as personagens podiam ser pessoas que conheço com sentimentos que podiam ser meus naquele contexto.

 

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Princípio de Karenina, Afonso Cruz

Livros de 2022

06.01.22

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É difícil apontar qual é a pior coisa que nos pode acontecer na vida, mas diria que passar por ela sem a ter vivido deve estar no topo da lista. É lamechas, bem sei. Está taco a taco com o apreciar das pequenas coisas, também sei. Mas não há como fugir ao que é verdade.

Deixar que os medos, os receios e o comodismo nos roubem aquilo que só podemos ter uma vez sabe a desperdício.

Esta história de Afonso Cruz é, para mim, sobre isso. Para mim porque já se sabe que as histórias, como as músicas, dizem alguma coisa de especial e diferente a cada pessoa que as lê.

Esta é a história de um pai que conta uma vida à sua filha. Há um filho que aprende o mundo como o pai lhe ensina. Uma mãe frágil. Uma esposa eficiente. Um amor que entra sem ser convidado e que muda aquilo que o mundo representa.

Uma história tão bonita para começar as leituras de 2022.

Aqui ficam algumas das frases que sublinhei para poder voltar ao livro e saber de onde me recordo de as ter lido:

“O som do Outono ouve-se com os sapatos. Quando as solas partem as folhas secas das árvores”.

“Os anos são eficazes a passar.”

“Mas a vida que vale a pena ser vivida precisa de desequilíbrio.”

 

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Noites azuis, de Joan Didion

Livros que li

01.01.22

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Honestidade. Esta é a palavra que me ocorre quando penso neste livro. O discurso é ocasionalmente desconexo. Não há um fio condutor claro, mas há sentimentos que persistem. Umas vezes medo, outras a dor da perda, um certo nevoeiro que atenua a dor e deixa que as memórias entrem para que quem desapareceu possa ainda estar presente por breves instantes. A irregularidade do texto enaltece a franqueza com que foi escrito. A necessidade de contar um sentimento sem a preocupação de polir as palavras.

Já abraço muitas vezes o meu filho. Sempre o fiz. Somos assim, pessoas de abraços. Eu só com ele. Ele com todos os que gosta e mais ainda comigo. Enquanto lia este livro abracei-o ainda mais. Precisava de lhe sentir perto. De saber que tenho o cheiro dele bem gravado em mim.

 

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